O dia 23 de janeiro de 2025 marcou dois acontecimentos históricos para a memória brasileira. O filme “Ainda Estou Aqui”, de Walter Salles, foi indicado ao Oscar, destacando-se nas categorias de Melhor Filme Internacional e Melhor Atriz para Fernanda Torres. No mesmo dia, a certidão de óbito do ex-deputado Rubens Paiva foi oficialmente corrigida para registrar que sua morte foi “violenta, causada pelo Estado brasileiro” durante a ditadura militar.
O longa, inspirado na autobiografia homônima do jornalista Marcelo Rubens Paiva, filho do ex-parlamentar, narra a história de Eunice Paiva, esposa de Rubens, e os impactos que a perseguição política deixou em sua família. A produção traz uma abordagem sensível e realista dos acontecimentos, refletindo o contexto sombrio do regime militar brasileiro (1964-1985).
A correção na certidão de óbito, divulgada pelo portal g1 e emitida pelo Cartório da Sé, em São Paulo, foi realizada após uma resolução do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em dezembro de 2024. A medida obriga os cartórios a ajustar os registros de morte de pelo menos 202 vítimas do regime militar. No caso de Rubens Paiva, o documento agora especifica que ele faleceu de forma “não natural; violenta; causada pelo Estado brasileiro no contexto da perseguição sistemática à população identificada como dissidente política do regime ditatorial instaurado em 1964”.
Para muitos, o lançamento do filme e a correção histórica na certidão de óbito reforçam a importância de revisitar as cicatrizes da ditadura militar. “Esse reconhecimento oficial não apaga a dor, mas é um passo necessário para honrar a memória de meu pai e de tantas outras vítimas”, declarou Marcelo Rubens Paiva em entrevista.
A indicação ao Oscar e o impacto global do filme destacam o papel do cinema como ferramenta de conscientização histórica, promovendo reflexões essenciais sobre justiça e democracia.



