Quando Chega o Outono - Foto: Reprodução
Quando Chega o Outono - Foto: Reprodução

“Quando Chega o Outono” é um filme de François Ozon, que nos convida a mergulhar nas complexas emoções humanas, onde desconfiança e segredos se entrelaçam, criando uma trama densa e intrigante. Ambientado no bucólico vilarejo da Borgonha, acompanhamos a história de Michelle, que vive uma vida tranquila ao lado de sua amiga Marie-Claude, até que um acidente com cogumelos venenosos muda o curso de suas vidas e revela feridas do passado.

O que me chama a atenção no filme é a forma de sua narrativa, sendo sutil e sem muita ambição. O enredo é simples e desenvolve de forma lenta, mas com detalhes que desempenham um papel crucial. Cada pequeno gesto feito pelos personagens do filme contam para que sua história possa ser compreendida e traz um peso significativo para a trama. Não é um filme de grandes efeitos ou reviravoltas dramáticas, mas sim um retrato realista e sensível da psique humana, onde as tensões familiares e os segredos não ditos moldam os personagens.

Quando Chega o Outono - Foto: Reprodução
Quando Chega o Outono – Foto: Reprodução

A dinâmica entre Michelle e sua filha Valérie, marcada por mágoas e traumas do passado, é um dos pontos centrais da história. O envenenamento acidental de Valérie, a proibição que ela coloca de não deixar Michele ver seu neto, a forma como tudo isso de desenrola, e por outro lado a relação de Marie-Claude com seu filho Vicente, recém-saído da prisão, onde Marie se culpa por seu filho ter seguido caminhos e amizades erradas.

“Quando Chega o Outono” não é um filme hollywoodiano, e é justamente isso que faz dele uma obra-prima. Ele é discreto, mas profundo. A força do filme está em seu ritmo cadenciado, nos diálogos esparsos e na maneira como nos obriga a prestar atenção aos detalhes. Não há espaço para grandes dramas artificiais; tudo é silencioso, mas com um impacto imenso.

Se você procura uma história que vai além das convenções comerciais, que não precisa de grandes gestos para emocionar e que exige do espectador uma atenção cuidadosa aos elementos mais sutis, este é um filme imperdível. É um retrato humano, intimista e inesquecível, que nos lembra que, muitas vezes, os maiores mistérios e os maiores conflitos estão dentro de nós mesmos.