Serra das Almas tenta ser um suspense envolto em paisagens áridas e silêncios carregados de tensão, mas no fim das contas entrega apenas um amontoado de ideias jogadas que não se conectam de forma coesa. O que poderia ser uma trama densa e provocadora, se dissolve numa narrativa frouxa, com furos de continuidade e um final que abandona mais do que conclui.
Logo de cara, o filme apresenta personagens que parecem prometer algo: jornalistas em busca de uma história, uma cidade marcada pelo mistério e um suposto esquema de contrabando de joias. No entanto, nenhuma dessas pontas é realmente desenvolvida. As jornalistas, que iniciam como motor da história, simplesmente desaparecem sem nem voltarem à cidade. O conflito central – o tal contrabando – é esquecido como se nunca tivesse sido um problema.
Além disso, há erros de continuidade gritantes que comprometem até a imersão mais básica. A noite vira dia do nada em algumas cenas, como se o tempo não fosse uma preocupação da direção. Esses deslizes, somados à falta de ousadia estética ou narrativa, fazem o filme parecer um rascunho de algo que nunca foi finalizado.
O final aberto, por sua vez, não instiga reflexões, só reforça a sensação de incompletude. Parece que faltou coragem para assumir um rumo ou dar uma resposta minimamente satisfatória. Serra das Almas tinha potencial, mas preferiu se esconder atrás do vago, do abstrato, e acabou entregando só o vazio.



