A história de Joana da Paz, mulher comum que se tornou símbolo de coragem ao denunciar a rede de tráfico do Rio de Janeiro, ganha corpo com a impecável atuação de Fernanda Montenegro, neste filme vemos de onde sua filha Fernanda Torres puxou tanto talento para atuar em Ainda Estou Aqui.
Na pele de Nina, Montenegro entrega uma das performances mais contidas e marcantes de sua carreira, dando vida a uma história emocionante e verdadeira. O roteiro de Paula Fiuza, com colaboração de Breno Silveira, acerta ao equilibrar dor e força. Nina não é apenas uma vítima. É uma mulher que decide reagir. Compra uma filmadora, grava a violência que a cerca e, mesmo com medo, vira o fio da história. A frase “A senhora está me dizendo que eu preciso morrer para não morrer?” é daquelas que ficam ecoando depois da sessão.
O filme tem um contraponto muito bom, e parte para um lado menos tenso em alguns momentos, tendo alguns alívios cômicos do cotidiano, onde vai tirar alguns risos do telespectador.
Mas o que mais impressiona é como o filme não transforma a realidade em espetáculo. Tudo é duro, seco, mas nunca gratuito. A direção acerta ao só revelar os vídeos gravados por Nina no momento em que outro personagem os assiste. O nosso choque é o deles. A indignação também.
Vitória emociona porque não tenta forçar emoção. Ela acontece. Nos detalhes, nas atuações (destaque também para Alan Rocha como o jornalista e para Linn da Quebrada, doce e sensível em cena), nas escolhas certeiras de direção e até nos pequenos momentos de alívio — como o carisma de Thawan Lucas como Marcinho.



